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Eleições e redes sociais

A eleição de 2014 será lembrada como a mais turbulenta e emocionante da história deste país, não só pela divisão entre a população, reviravoltas e discursos, mas também pelas grandes repercussões de acusações sem procedência e fontes seguras na internet. Nos últimos três meses o Feed de notícias de muitas pessoas se tornou monotemático. Nunca antes uma eleição foi tão discutida nas redes sociais.

Recordes foram ultrapassados, e no Brasil as eleições foram três vezes mais movimentadas que na Índia (última recordista com 227 milhões de posts, comentários e curtidas em 69 dias de disputa, uma média de 3,28 milhões por dia destes tipos de interações.), já aqui foram 674,4 milhões de interações no Facebook em três meses e meio de campanha, uma média de 5,96 milhões por dia. O que causa um grande espanto pois a rede social tem 100 milhões de usuários na Índia e 89 milhões no Brasil, e há mais indianos do que brasileiros no Facebook.

O que também causou uma grande surpresa, foi a interação dos brasileiros utilizando em grande escala o Twitter para expor a sua opinião sobre política. Só durante a campanha foram mais de 9,85 milhões de mensagens publicadas durante a campanha. As eleições estiveram o tempo todo como os assuntos mais populares no mundo e nas redes com hashtags e os nomes dos candidatos no topo dos temas mais comentados.

O grande impacto nas redes sociais deu uma pequena visão do futuro dos internautas e seus hábitos nos próximos quatro anos. Decisões foram tomadas e mudadas diversas vezes, já que as redes sociais foram fundamentais para discursos e informações para muitos em um só lugar.

Conversas e vídeos banais se tornaram longos discursos sobre o futuro do país. Desde 2010 a internet se tornou algo democrático. Isso fez com que a população com celular em punho e quase instantemente nas ruas, bares, ônibus e trabalho se interligassem com colegas e amigos. Isso foi um grande ponto positivo para a democracia.

Novos hábitos fizeram os candidatos perceberem que era necessário uma inovação nas campanhas eleitorais, o eleitorado já não estava mais nas ruas, agora as grandes batalhas teriam que ser travadas nas redes sociais.

“As campanhas viram nisso uma oportunidade para, durante o debate, complementar informações ou reproduzir citações de candidatos para ter certeza que alcançariam mais pessoas”, afirma Bruno Magrani, diretor de relações institucionais do Facebook Brasil.

Entretanto, tudo que é novo assusta ou causa reações adversas. Muitos internautas se colocaram em uma caixa de vidro virtual e não estavam habituados em debater sobre política discutindo de forma séria sem aceitar diferentes opiniões, preferiram bloquear ou eliminar de seus contatos quem não ia a favor de suas ideias.

Após as eleições muitas pessoas se expressaram de forma impulsiva, sem ao menos pensar que a internet é como a “vida real” e quem está por trás de telas de vidro são pessoas que também fazem parte da população brasileira. Devemos acreditar ou esperar que todos entendam e amadureçam suas opiniões, a tecnologia deve se tornar um Plus para os nossos direitos e não uma arma para a defesa de ideias únicas.

 Thais Oliveira

Redatora